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Liames retentores

Inumeráveis os liames que retêm na retaguarda. Multiplicam-se facilmente e surgem sob disfarces multiformes, impeditivos, constritores, ameaçando o avanço de quem se resolve em definitivo romper com o erro, com a viciação pertinaz. Aqui são os impedimentos familiares, complexos, estabelecendo conflitos de alto porte; adiante são os amigos anestesiantes de saúde, nem sempre reais, mas atemorizadores; ali aparecem como utopias e gozos vãos afastando da trilha reta; acolá surgem na feição de desencantos ante os esforços que parecem baldos de êxito, conspirando contra a persistência dos elevados ideais... Às vezes, sutilmente, tomam aspecto de fantasmas conflitantes, engendrando sofismas hábeis que obnubilam o discernimento e a razão. Não faltam os convites à comodidade, ao “relax” da inutilidade, bem urdidos, em pessoas de aparente formação moral enobrecida. Uns argumentam: “Valerá o esforço envidado, quando ninguém quer nada com nada?” Outros interrogam: “Perder tempo com essa gente infeliz? Que lucro recolho, além da ingratidão que me oferecerão com ácido e fel?” Diversos asseveram: “Melhor cuidar de cães e gatos, que de crianças, desde cedo acostumadas à rapina, à malandragem, que no futuro me fariam verter pranto de sangue.” A maioria afirma: “Vida espiritual? Balela! Tudo se consome com a morte. Religião é fuga, no máximo, oportunidade de convivência social. Não perderei meu tempo.” E têm razão do ponto de vista deles, os que assim procedem, porquanto supõem que a realidade é o que lhes parece. Mas não estão certos. O bem que se faz gera o prazer do bem em si mesmo. Retribuição é pagamento e este anula o mérito da ação realizada. Não poucas pessoas permanecem indiferentes ante a queda moral do próximo, todavia, argumentam contra, quando alguém pretende elevar-se, programando roteiros de serviços dignificantes. Parentes zelosos rebelam-se, amigos reagem, conhecidos zombam quando defrontam decisões superiores naqueles a quem se vinculam. Todavia, oferecem sorrisos de falsa complacência, quando defrontam com gravames e quedas. Não os consideres além do respeito que merecem e insiste resoluto nos impositivos dignificantes. Espírito imortal, tens o rumo das Esferas Superiores. Comprometido com o mal, apega-te ao bem e assimila-o. Verificarás a diferença abençoada e nada mais te deterá. Quem aspira às verdadeiras cumeadas não consegue reter-se na asfixia das velas... Não foi por outra razão que Jesus causou surpresa quando afirmou: “Porque o que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”, conforme anotaram Marcos e Mateus. Nenhuma amarra, prisão alguma, sem retentivas na retaguarda - eis a diretriz que deves tomar no rumo da Grande Luz.

Joanna de Ângelis (psicografia: Divaldo P. Franco) — Celeiro de Bênçãos