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3. Por um lado, não se poderia conceber um Deus soberanamente justo e bom a criar seres inteligentes e sensíveis, apenas para relegá-los ao nada após alguns dias de sofrimentos sem compensação, tendo a seus olhos essa sucessão indefinida de seres que nascem sem o terem pedido, pensam, por um instante, tão somente para conhecer a dor, e se extinguem para sempre após uma existência efêmera.

Sem a sobrevivência do ser pensante, os sofrimentos da vida seriam, da parte de Deus, uma crueldade sem objetivo. Eis por que são corolários um do outro o materialismo e o ateísmo; negando a causa, eles não podem admitir o efeito; negando o efeito, eles não podem admitir a causa. O materialismo, então, ainda que não esteja de acordo com a razão, está de acordo consigo mesmo.

Allan Kardec — A Gênese