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Meios de comunicação (parte 2 de 2)

Se a mediunidade se traduzisse por um sinal exterior qualquer, isto implicaria a permanência da faculdade, ao passo que ela é essencialmente móbil e fugidia. Sua causa física está na assimilação, mais ou menos fácil, dos fluidos perispirituais do encarnado e do Espírito desencarnado; sua causa moral está na vontade do Espírito que se comunica, quando isto lhe apraz, e não segundo a nossa vontade, donde resulta: 1.°, que nem todos os Espíritos podem comunicar-se indiferentemente por todos os médiuns; 2.°, que todo médium pode perder ou ver suspender-se a sua faculdade, quando ele menos o esperar.

Estas poucas palavras bastam para mostrar que há nisto um sério estudo a fazer-se, a fim de se poder explicar as variações que esse fenômeno apresenta. Seria, pois, um erro crer que todo Espírito possa vir responder ao apelo que lhe é feito, e se comunicar pelo primeiro médium de que se lance mão. Para que um Espírito se comunique, é preciso: 1.°, que lhe convenha fazê-lo; 2.°, que sua posição ou suas ocupações lho permitam; 3.°, que encontre no médium um instrumento apropriado à sua natureza.

Em princípio, podemos comunicar-nos com os Espíritos de todas as categorias, com os nossos parentes e amigos, com os mais elevados como com os mais vulgares; porém, independente das condições individuais de possibilidade, eles vêm mais ou menos de boa-vontade segundo as circunstâncias e, sobretudo , segundo a sua simpatia pelas pessoas que os chamam, e não pelo pedido do primeiro que tenha a fantasia de evocá-los por um sentimento de curiosidade; nestas circunstâncias, se eles, quando na Terra, não se incomodariam com elas, depois da morte não o fazem também.

Os Espíritos sérios só comparecem nas reuniões sérias, para onde os chamam com recolhimento e para coisas sérias ; não se prestam a responder a perguntas de curiosidade, de prova, ou com um fim fútil, nem também a experiência alguma.

Os Espíritos frívolos andam por toda parte; porém, nas reuniões sérias, calam-se e conservam-se afastados para escutar, como fariam estudantes em uma assembleia de doutos. Nas reuniões frívolas eles tomam a desforra, fazendo de tudo divertimento, zombando, muitas vezes, dos assistentes, e respondendo a tudo sem se importarem com a verdade.

Os Espíritos denominados batedores e, geralmente, todos os que produzem manifestações físicas, são de ordem inferior, sem por isso serem essencialmente maus; possuem uma aptidão, de alguma sorte especial, para os efeitos materiais; os Espíritos superiores não se ocupam com essas coisas, assim como os sábios da Terra não se entregam a exercícios de força muscular; quando aqueles precisam que tais efeitos se deem, lançam mão dos atrasados, como nós nos servimos dos trabalhadores para os serviços pesados.

Allan Kardec — O Que é o Espiritismo