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Carta aos Velhos

Vens de longe no caminho,

Exausto de combater.

Sim, meu irmão, a velhice

É a hora do entardecer.

Por vezes, é uma hora triste

De amargurosas lembranças

Do barco em que viajavas,

Entre sonhos e esperanças.

Da culminância do monte,

Examinas a paisagem,

E deploras os desvios

De quem começa a viagem.

Às vezes te calas, triste.

Ninguém te quer atender,

E choras porque conheces

Os tóxicos do prazer.

Mas nunca te desanimes.

Prossegue em tua missão,

Continua esclarecendo

O mundo de provação.

Não desesperes, porquanto,

Antigamente também

Eras chamado à verdade

E não ouviste a ninguém.

Quebraste serros e atalhos,

Sem olhar a consequência.

Sofreste muito e ganhaste

O ouro da experiência.

Perdoa. Quem viveu muito

Tem muita compreensão.

Compreensão é bondade

Que esclarece com perdão.

Meninos, moços e velhos,

Nas lutas da humanidade,

São três expressões ligeiras

De um dia da eternidade.

Meninice e juventude

São a alvorada louçã.

Velhice é a noite, porém,

O dia volta amanhã.

O que é preciso no mundo

De prova e de sofrimento,

É que todos sejam velhos

Nas luzes do entendimento.

Por isso, meu santo amigo,

Não te canses em saber,

Se tens muito que ensinar,

Inda tens muito a aprender.

Conserva a tua esperança.

Guarda a paz do Mestre Amado.

A crença na tua noite

É um firmamento estrelado.

Na antecâmara do Além,

Deus te abençoe, meu irmão,

Dilatando no caminho

A luz do teu coração

Fonte: Cartas do Evangelho